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Paróquia São Benedito - Diocese de Bauru
 
238 - O Evangelizador - Nov-Dez/2016
 
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O Padroeiro
 

A VIDA DE SÃO BENEDITO

 

A SUA ORIGEM

 

Chamavam-se seus pais Cristóvão e Diana Lercan. Este casal africano foi comprado por uma família siciliana chamada Manasseri. Sendo seu pai muito bom Cristão, correto e trabalhador, conquistou a confiança do patrão, o que o tornou capataz da fazenda e feitor dos escravos. Quando Cristóvão se casou, o patrão prometeu-lhe que seu primeiro filho nasceria livre.

E assim, pelo ano de 1526 nasceu, livre,  Benedito, conhecido como “Benedito, o mouro”, “Benedito, o etíope”, “Benedito, o negro”, “Benedito de San Fratello”.

Dos lábios da mãe, Benedito aprendeu aquilo que marcaria sua vida: a arte da oração. Passou a infância pastoreando as ovelhas de Vicente Manasseri no silêncio das montanhas, onde se ouve a voz de Deus.

 

A JUVENTUDE E O CHAMADO DO FREI JERÔNIMO LANZA

 

            Benedito estava tranquilo em seu trabalho, quando um grupo de jovens passou a se divertir em insultá-lo, ameaçá-lo, humilhando-o violentamente. Benedito, no entanto, permanecia sereno, mesmo sofrendo. Nesse momento, surge Jerônimo Lanza, vestido de frade penitente, que os repreende: “Vocês se divertem às custas deste pobre escravo, mas dentro de alguns anos,ficarão surpresos aos escutarem seu nome comentado em toda a terra.”

            Jerônimo era um jovem, de família rica, muito conhecido. Na mesma noite de seu casamento, propusera a sua noiva viverem como irmãos, renunciando à vida matrimonial e ingressarem num convento. Achando isso pouco, retirou-se para as montanhas, a fim de viver como eremita, em total solidão. Esse austero, nobre, culto sobrinho do famoso Cardeal Rebiba, impressionava muito por suas faces marcadas pelo jejum e rosto luminoso, pela oração contínua.

            Naquela ocasião, os jovens, que estavam se divertindo às custas de Benedito, se calaram e ainda tiveram de ouvir: “Respeitem esse jovem; não levará muito tempo e ele me seguirá, fazendo-se religioso”. E assim Jerônimo retirou-se, deixando os jovens espantados e Benedito mergulhado em profunda reflexão.

 

DEUS CHAMA

 

            Mais tarde, voltou Lanza à procura de Benedito na palhoça onde morava e lhe disse: “O que você está esperando, Benedito? Venda seus bois e venha para minha comunidade!” Esse convite foi uma ordem de Deus para Benedito, que se despediu de seus pais e, abençoado por eles, ajuntou sua mala e seguiu a voz que o chamava, “ a voz de Deus” .

            Benedito escolhera o caminho da entrega total a Deus, escolhera viver na mais estrita penitência: longos jejuns a pão e água e ervas cruas; longas horas de oração prostrado sobre pedras com os joelhos crus; cilícios (correntes) de ferro amarradas à cintura e que mortificavam a carne.

            Logo começaram os “jogos” de Deus com aquela alma eleita e os comentários vão se alterando: “Dizem que Deus fala com ele!”  “ O jovem era um santo, estava conosco e não o conhecíamos...”

            Frei Jerônimo podia testemunhar as mudanças radicais que aconteciam: antes, o povo sabia que frades estavam retirados nas montanhas, mas deixava-os em paz.  Agora não: com Frei Benedito, acaba o sossego: homens e mulheres sobem a montanha, interrompendo a solidão. Peregrinação sem fim leva devotos a querer falar com Benedito, escutar uma palavra, alcançar uma graça. Procuram o Negro Santo para que fale com Deus em seu lugar.

 

BUSCA DO SILÊNCIO

 

            E chega o dia em que os frades precisam dizer: “Chega! Não somos mais solitários!”.

            A comunidade era formada de franciscanos e dominicanos, que tinham deixado os conventos em busca do silêncio, da oração e da penitência. A congregação de Frei Jerônimo Lanza era uma das menores da Igreja, mas uma das mais firmes na decisão de viver, como Francisco, a extrema pobreza e o silêncio. Para alegria de Benedito, a decisão foi tomada: transferir-se, em segredo, para um local desconhecido. A mudança era simples: os frades e alguns sacos de pano. Era tudo.

            Praticamente, atravessaram diagonalmente a Sicília, caminhando a pé mais de 100 quilômetros, enfrentando montes e estradas difíceis, desviando-se, na medida do possível, de eventuais devotos de Benedito. Esconderam-se, literalmente, às margens do rio Platani, não distante da vila Raffadali. Escolheram um lugar solitário e escondido aos olhos dos agricultores e de acesso difícil. Ao redor, grutas, cavidades sepulcrais, vestígios de antigas construções, muros destruídos. Ali permaneceram por 8 anos.

            Novamente o povo descobriu o “santo” e não lhes permitia orar e fazer penitência em paz.

            “Pobres frades!” Pareciam tão escondidos, mas os devotos, logo, os descobrem e começam novamente a romaria. Os pobres eremitas não tinham se dado conta, mas o problema não era se esconderem a quilômetros de distância, atravessarem, de lado a lado, a Sicília. O problema era aquele frade negro, analfabeto, que conhecia a “linguagem para falar com Jesus e a Virgem Maria”. O mundo não tem lugar tão secreto que possa tornar um santo invisível. Deus o revela sempre, pois os santos são necessários. Os santos são os intercessores vivos que protegem o mundo da ira divina, causada pelos pecados da humanidade.

 

O INICIO DOS MILAGRES

 

            Benedito era procurado para dar um conselho e interceder pelas necessidades dos devotos. Mas, pouco a pouco, os milagres vão surgindo, pois o negro obtém de Deus o poder de vencer as leis da natureza.

            E do meio da multidão, saiu uma pobre mulher, desesperada, desenganada pelos médicos. Um câncer tinha-lhe devastado os seios, oferecendo um aspecto repugnante aos que a olhavam. “Benedito de Deus, olha meu peito destruído pela gangrena. Reza, pede a Deus por mim, faz o sinal-da-cruz!”.

            Benedito olha os seios carcomidos, faz neles o sinal-da-cruz e foge. A mulher estava curada. E Deus não sossegaria mais em atender às preces de seu negro bendito.

 

DESINSTALAÇÃO DO EREMITÉRIO

 

            Em Monte Pelegrino, faleceu Frei Jerônimo Lanza, fiel a sua vocação e aos seus ideais. A morte de Lanza, a princípio, desnorteou aquela comunidade, de vida já tão precária e cigana. Mas ela não pereceu por falta de chefe, porque a presença de Frei Benedito era garantia de sua continuidade. Acabou chegando ao seu fim por vontade soberana da Igreja, que há mais tempo desejava unir inúmeros ramos franciscanos, que proliferavam naquele tempo. Um desses ramos eram os Irmãos Eremitas Franciscanos, fundado por Lanza.

            O papa Júlio III (1550-1555), Pio IV, em 1562, extinguiu a comunidade de Monte Pelegrino, ordenando que os eremitas procurassem conventos da Ordem Primeira Franciscana ou voltassem para suas casas.

 

ENTRADA NO CONVENTO DOS FRANCISCANOS

 

            Depois de sair do eremitério, Benedito se dirigiu à Catedral de Palermo para rezar. Terminadas suas orações, Benedito já havia tomado a decisão de procurar Frei Arcângelo de Scieli, guardião do convento franciscano de Santa Maria de Jesus, a poucos quilômetros de Palermo. Ali, segundo todos diziam, moravam religiosos de grande santidade.

            Chegando lá, Benedito foi muito bem recebido e até estranhou. Mas logo, ficou sabendo que sua fama de santo, já há muito tempo, era ali conhecida. Todos esperavam a ocasião de conhecê-lo pessoalmente.

            Apesar de já ser um religioso professo há mais de 10 anos, os superiores mandaram Frei Benedito para o convento de Sant’Ana di Giuliana, para uma espécie de Noviciado.

            Benedito adaptou-se tão bem em Sant’Ana, que lá acabou ficando por 3 anos, após os quais, seus superiores o chamaram de volta para Santa Maria de Jesus, onde viveria para o resto da vida.

            Benedito foi designado para a cozinha do convento de Santa Maria de Jesus. Na cozinha, ele preparava o alimento corporal, sustentáculo das forças espirituais.

 

VIDA NO CONVENTO DE SANTA MARIA DE JESUS

               

            Em 1578, estando Frei Benedito com 52 anos, foi nomeado guardião de Santa Maria de Jesus. Guardião é o título dos superiores dos conventos franciscanos.

            Uma coisa até hoje raríssima: um religioso leigo escolhido para superior de uma comunidade onde moram também sacerdotes. É sinal que viam em Frei Benedito qualidades de dirigente.

            Cabe ao superior das comunidades religiosas dar ou negar as licenças pedidas e a ele se prestam contas de todos os gastos extras. É ele que preside todas as reuniões da comunidade, também as orações comunitárias. Escala os trabalhos apostólicos e deve ser o primeiro a trabalhar. Como animador dos confrades, compete ao superior dar o bom exemplo a todo o tempo e em todo o lugar.

            Os que escolheram Benedito para guardião não olharam seus estudos que eram poucos, mas sua santidade que era muita. Por três anos, ficou Benedito no cargo de guardião do convento de Santa Maria de Jesus.

 

MORTE DE SÃO BENEDITO

 

            Benedito viveu pouco em relação aos moldes de hoje. Apenas 63 anos. Com o corpo alquebrado pelos trabalhos e sofrimentos da vida, a doença aproveitou a brecha e começou a minar-lhe as últimas forças. Em fevereiro de 1589, caiu da cama. Tinha certeza de que se tratava do seu fim e, justamente por isso, se alegrou. Doença relativamente rápida: dois meses. Procurava aborrecer o mínimo possível o enfermeiro que o acudia. Tudo para ele estava bom; de nada reclamava.

            Certa vez, estando o enfermeiro vigilante, percebeu, em dado momento, que o rosto do doente se iluminou. A boca se abriu e os olhos ficaram fixos e extáticos. – “É o fim, pensou o enfermeiro – Frei Benedito está cruzando o limiar da eternidade.” E saiu correndo para chamar a comunidade para vir rezar as últimas orações que se fazem para os agonizantes. Mas ainda não era a morte. A comunidade ficou sabendo, depois, que Benedito tivera uma visita do céu.

            Benedito voltou a si da visão celeste que teve e disse ao enfermeiro: “Pode ficar tranqüilo, eu avisarei o dia e da hora da minha morte”. Depois, disse-lhe claramente: “Vou falecer no dia 4 de abril”. O enfermeiro retrucou-lhe: “Imagine, Frei Benedito, como esta casa irá ficar cheia!” Isso ele dizia prevendo o transtorno que haveria no convento, com o povão que viria para o velório. “Pode ficar sossegado, que não virá ninguém”.

            As duas profecias se cumpriram. Benedito faleceu em 4 de abril e pouca gente compareceu ao velório, pois, nos arredores de Palermo, estava se celebrando, nesse dia, a festa do Divino, numa Igreja do Espírito Santo.

            A morte de São Benedito foi realmente linda porque ele se preparou para morrer. Naquele dia 4 de Abril, terça-feira de Páscoa, o Santo teve o prazer e a felicidade de receber todo o consolo a que tinha direito da parte da Igreja: confissão, comunhão (viático), unção dos enfermos, últimas orações, inclusive a “bênção papal”, que os sacerdotes têm delegação para dar aos agonizantes.

            Benedito assentou-se na cama e, olhando para o céu, rezava e contemplava. Invocava seus santos padroeiros: São Francisco, São Miguel, São Pedro e São Paulo e Santa Úrsula.

            A certa altura das orações e, depois de uma visão que teve de Santa Úrsula, rezou em voz alta: “Em vossas mãos, Senhor, entrego meu espírito”, oração que se rezava diariamente no Ofício da noite, chamado Completório. Dizendo isso, ele deitou-se, fechou os olhos e deu o último suspiro.

 

O SEPULTAMENTO

 

            Não sabemos por quantas horas o corpo de São Benedito foi velado. Mas não foram senão poucas. O corpo foi levado para a igreja do convento, onde a comunidade cantou o Ofício dos Defuntos e, logo depois, o sepultaram no cemiteriozinho do local.

            Quando o povo ficou sabendo que o Santo havia falecido e já estava sepultado, se dirigiam para o convento e queriam rezar em seu túmulo. Depois começaram a implorar por relíquias dele. Suas roupas, as roupas de cama onde faleceu foram reduzidas as tiras, que cada um levou com muita satisfação. Até sua cama e colchão foram feitos em pedacinhos, que eram avidamente disputados pelos visitantes.

            Até agosto, quatro meses após a morte do Santo, muita gente chegava diariamente a Santa Maria de Jesus, pedindo para visitar a sepultura do Servo de Deus. Aquele convento de San Fratello foi se tornando um santuário.

 

OS RESTOS MORTAIS

 

            Primeiramente, depositaram o corpo no túmulo do convento, onde os outros confrades já haviam sido sepultados. O local não era de fácil acesso e o tropel dos romeiros incomodava a silenciosa comunidade. Eram muitos que queriam rezar na sepultura e o número de devotos aumentava, a cada dia, mais e mais, devido aos milagres que ali aconteciam.

            Em 1591, dois anos depois da sua morte, foram transladados seus restos mortais. Através da autorização dada pelo Cardeal Mathei ao Pe. Lourenço Galatino, visitador da Província Franciscana da Sicília, este colocou os despojos de Benedito numa urna e a depositou  numa parede grossa da sacristia da igreja de Santa Maria de Jesus. Melhorou para o povo, mas acabou o sossego da sacristia. Além do mais, o local era pequeno e as romarias estavam crescendo cada vez mais. Com o correr dos dias, a sacristia virou capela, com o povo ali rezando, cantando e pagando promessas. Isso durante dezenove anos.

            Os frades de Santa Maria resolveram pedir à Santa Sé nova transladação, desta vez, levando os despojos de São Benedito para a igreja. O cardeal Pinello, Prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, em carta de 11 de março de 1611, permitiu a nova transladação, que foi realizada no dia 3 de outubro do mesmo ano, com a presença do Cardeal Dória. A festa foi muito bonita, com uma imponente procissão, em que o povo carregava os restos mortais do glorioso São Benedito numa preciosa urna de cristal.

            Hoje, o corpo de São Benedito está colocado numa capela lateral da Igreja de Santa Maria de Jesus, o velho convento franciscano, a três quilômetros de Palermo.

 

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO DE BENEDITO

 

Em 1592, três anos depois da morte de Frei Benedito, dava-se início ao processo de sua beatificação. Em 1763, Clemente XIII declarou Frei Benedito “Bem-Aventurado”, apesar de haver uma devoção muito forte já após sua morte.

            Em 1776, o Cardeal Visconti iniciou o processo de canonização. Ocorreu um novo estudo da “heroicidade” das suas virtudes; novos milagres foram estudados pela comissão, que se reuniu por três vezes: uma em 1780 e duas em 1786. Os resultados destas reuniões foram plenamente favoráveis à canonização de Frei Benedito. Finalmente, foi marcada a data da canonização: 25 de maio de 1807, domingo da Santíssima Trindade, sendo efetuada por Pio VII.

 

OS MILAGRES QUE FAVORECERAM A CANONIZAÇÃO

 

            Na velha cidade de Leiria, Fátima (Portugal), vivia um grande devoto de São Benedito chamado Antônio de Azevedo. Seu filho Manoel adoeceu gravemente. Desenganado pelos médicos, veio a falecer. O pai, desesperado, lembrou-se de São Benedito, cuja imagem achava-se na Igreja de São Francisco, onde era muito venerada e acontecia muitos milagres. Antônio correu até a igreja e lá fez um voto ao Santo Preto: se este lhe restituísse vivo o filho, Antônio, prometia vir com ele participar de uma missa e trazer ali a mortalha com o qual o filho seria enterrado. Voltando para casa, aquele pai, cheio de fé, encontra o filho vivo e plenamente saudável. Logo depois, pai e filho voltaram à igreja de São Benedito, onde também “pai e filho”, isto é, Francisco e Benedito, os esperavam para as ações de graça.

            Irmã Madalena da Ressurreição residia no mosteiro de Castanheira, filha de condes, vivia triste em seu convento por causa de uma surdez incurável. Já não podia recitar o Ofício Divino com suas colegas no coro do convento, por nada ouvir. Ao receber a visita de um parente franciscano, este aconselhou-a a pedir a cura a São Benedito. Dias depois, este mesmo religioso enviou-lhe, por carta, uma relíquia de São Benedito. Ela recebeu a carta exatamente quando estava se dirigindo para a capela, para rezar o breviário. Dobrou-se e colocou-a no bolso para ler depois. Estava rezando o Ofício, em particular, quando teve uma visão: pareceu-lhe ver São Benedito, que lhe dizia: “Vou curá-la!”. Naquela noite, na hora de recolher-se, a religiosa já sentiu seus ouvidos muito diferentes, para melhor. E, ao levantar-se, estava escutando perfeitamente.

 

 
 
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